02 Janeiro 2011

Dietas TRADICIONAIS: de volta para o passado

Por que será que a saúde de povos de vida "primitiva" (como algumas tribos africanas, populações remotas da Escócia, esquimós no Alaska, populações das ilhas polinésias e até nos alto dos alpes suíços) é infinitamente melhor do que a nossa, especialmente a ocidental?

Como assim? Você não sabia que existem povos no mundo que não sofrem de doença cardio-vascular, diabetes, câncer, obesidade... e tantas outras doenças típicas da vida moderna?! Pois existem! E já faz MUITO tempo que isso é conhecido - mas talvez não haja interesse em divulgar...

Lá no século passado, em 1930, um dentista americano de nome Weston A. Price ficou intrigado com a rápida deterioração da saúde geral e bucal de seus pacientes e dos americanos em geral. Ele começou a perceber que os problemas pareciam ir se agravando a cada geração - não só nos dentes, mas na saúde em geral. Suspeitando que isso tivesse alguma coisa a ver com a alimentação moderna, partiu em viagem de observação de outros povos, povos que ainda mantinham hábitos alimentares tradicionais, não influenciados pela industrialização - ou seja, povos que não consumiam alimentos processados, refinados, desnaturados.

O resultado da viagem de observação do Dr. Price por 14 diferentes povos e culturas foi surpreendente: apesar desses povos terem hábitos alimentares diversificados entre si, TODOS eles apresentavam excelente saúde, vigor físico, estabilidade emocional, nenhuma doença degenerativa e praticamente nenhum problema dentário!

Não é o paraíso?!

O que ele observou, e que regsitrou no livro Nutrition and Physical Degeneration foi o seguinte:

- Os alimentos consumidos por esses povos eram todos de agricultura que chamaríamos hoje de "orgânica", sem pesticidas ou fertilizantes químicos
- Todos os alimentos eram "integrais", nem sabem o que é refinado
- Todas as dietas incluíam uma fonte saudável de gordura saturada de origem animal
- Nenhum desses povos consumia óleos vegetais poliinsaturados
- Sempre havia algum tipo de alimento fermentado, como iogurte ou sauerkraut nas dietas;
-Os que comiam carne, em geral aproveitavam o animal inteiro, incluindo as vísceras, e consumiam parte da carne crua
- Os grãos eram sempre deixados de molho, brotados e fermentados antes de serem consumidos (sabe-se que isso neutraliza os fitatos, presentes nos grãos, que inibem a absorção dos minerais contidos nos alimentos)
- Alguns desses povos não consumiam muitos vegetais, mas eram igualmente saudáveis
- A dieta de alguns povos consistia exclusivamente de carne (ou sangue) e leite gordo, ou ainda grandes quantidades de gordura, frutos do mar e óleo de côco; e ainda assim não apresentavam qualquer doença que a medicina nos diz serem causadas exatamente por esse tipo de alimentação

Em resumo, consumiam alimentos que se poderia definir como de "nutrição DENSA"; não havia "junk food", não havia alimentos industrializados, só comida "de verdade" e integral vinda diretamente da natureza.

Em comparação com a nossa dieta ocidental moderna, essas dietas "densas" tradicionais contém um teor pelo menos QUATRO vezes maior de minerais e vitaminas solúveis em água, e DEZ vezes maior de vitaminas lipossolúveis, encontradas na gordurade animais criados a pasto - vitaminas A, D e K2.

Agora compare com o que fazemos conosco nos dias de hoje... substituímos esses alimentos de conteúdo nutricional denso, por óleos, farinhas e açúcares processados, que não só não contém qualquer valor nutricional, como ainda nos roubam nutrientes! As populações ocidentais chegam a consumir 25% de seus alimentos na forma dessas calorias vazias (massas, pães, doces, sorvetes, bolos...). Os povos visitados pelo Dr. Price não comiam NADA disso, ou seja 0%. Não admira que a saúde deles mantenha-se boa e a nossa esteja indo ralo abaixo... Onde foi parar a nossa sabedoria?

Uma comparação simples entre essas dietas tradicionais e a dieta moderna, mostra-nos o seguinte quadro:

- Dietas Tradicionais - o solo é fértil
- Nas Dietas Modernas - o solo está esgotado

- Dietas Tradicionais - come-se muito a carne dos órgãos, tipo fígado
- Nas Dietas Modernas - prefere-se as carnes dos músculos

- Dietas Tradicionais - predominância das gorduras animais
- Nas Dietas Modernas - predominância dos óleos vegetais refinados

- Dietas Tradicionais - os animais são criados a pasto
- Nas Dietas Modernas - os animais são criados em confinamento

- Dietas Tradicionais - leite e laticínios consumidos crus ou fermentados
- Nas Dietas Modernas - leite e laticínios pasteurizados e ultrapasteurizados

- Dietas Tradicionais - grãos e feijões integrais são pré-preparados por molho e fermentação
- Nas Dietas Modernas - grãos são refinados, feijões impropriamente preparados

- Dietas Tradicionais - soja é consumida em pequenas quantidades, sempre com fermentação natural de longa duração
- Nas Dietas Modernas - soja processada industrialmente, consumida em grandes quantidades

- Dietas Tradicionais - brodos (caldos) de ossos
- Nas Dietas Modernas - flavorizantes artificiais, glutamato monossódico

- Dietas Tradicionais - adoçantes in natura
- Nas Dietas Modernas - adoçantes refinados e artificiais

- Dietas Tradicionais - vegetais lacto-fermentados
- Nas Dietas Modernas - pickles processados e pasteurizados

- Dietas Tradicionais - bebidas lacto-fermentadas
- Nas Dietas Modernas - refrigerantes

- Dietas Tradicionais - sal in natura
- Nas Dietas Modernas - sal refinado (cloreto de sódio)

- Dietas Tradicionais - as vitaminas estão presentes no alimentos
- Nas Dietas Modernas - vitaminas sintéticas são adicionadas aos alimentos

- Dietas Tradicionais - cozimento tradicional lento
- Nas Dietas Modernas - uso de microondas

- Dietas Tradicionais - sementes de polinização natural
Nas Dietas Modernas - sementes híbridas e geneticamente modificadas

Sempre que indivíduos dessas culturas "primitivas" passaram a a adotar os alimentos processados e desnaturados da alimentação ocidental moderna, como, por exemplo, farinhas brancas, açúcar, enlatados, óleos vegetais e leite pasteurizado, desenvolveram as mesmas doenças crônicas que nos assolam nos dias de hoje. Mas basta que retornem à sua dieta original. e os problemas cessam.

No meio de tanta informação nova, é preciso destacar alguns fatos importantes - observados pelo Dr. Price, e confirmados por modernas (mas pouco divulgadas) pesquisas - que podem surpreender a muita gente:

* Gordura animal não causa doenças do coração, câncer e obesidade, mas, na verdade, protege-nos contra essas condições

* Os alimentos modernos feitos com soja contribuem para problemas na tireóide, desordens digestivas e problemas endócrinos

* Dietas de baixo teor de gordura podem levar a diversos problemas de saúde, inclusive instabilidade emocional

* Vegetarianos NÃO vivem mais, as dietas veganas não protegem contra o câncer ou doenças cardíacas.

A Fundação Weston A. Price dedica-se a divulgar as descobertas do Dr. Price, e a educar a população no sentido de dar uma guinada em nossa maneira de pensar - ou melhor, ajudar-nos a pensar por nós mesmos, para que não sejamos vítimas de informações equivocadas, ainda que eventualmente bem intensionadas.



Portanto, contrariando tudo o que as recomendações oficiais preconizam, ou eventualmente o que defendem os defensores do chamado consumo "politicamente correto" dos vegetarianos, a Fundação Weston. A. Price considera que são comidas saudáveis:

- Manteiga, creme e leite cru integral, provenientes de animais criados a pasto
- Carne de órgãos, como fígado, por exemplo
- Carne, laticínios e ovos de animais criados a pasto
- Peixe selvagem, frutos do mar e ovas de peixe selvagem
- Frutas, vegetais e legumes orgânicos
- Alimentos lacto-fermentados tradicionais, como sauerkraut
- Bebidas lacto-fermentadas tradicionais, como kefir, iogurte, kombucha
- Caldos de carne e ossos preparados em casa
- Grãos preparados da maneira tradicional: deixados de molho, brotados e fermentados
- Pães de fermentação natural
- Sal sem refino (grosso, himalaia, guerlande) e condimentos

Complementarmente, recomenda-se evitar os seguintes "alimentos":

- Produtos de baixo teor de gordura ou mesmo sem gordura
- Produtos de soja modernos, como leite, tofu e proteína texturizada
- Leite e laticínios pasteurizados provenientes de gado criado em confinamento e alimentados com ração
- Margarina, gordura vegetal hidrogenada e gorduras trans
- Óleos vegetais processados e refinados
- Cereais matinais pré-preparados tipo corn flakes
- Adoçantes artificiais e aditivos químicos
- Fast food e refrigerantes
- Açúcar, adoçantes refinados e sucos de frutas
- Qualquer produto feito com farinha branca ou qualquer farinha refinada
- Carne de gado criado em confinamento e alimentado a grãos
- Peixe e frutos do mar provenientes de cativeiros





Já estamos acostumados às facilidades do supermercado, e uma alimentação correta requer mais a nossa presença na cozinha! Dá um pouquinho mais de trabalho?... SIM! Mas, por outro lado... quantos sabores esquecidos são resgatados! O paraíso, pode ser aqui... e agora!

Vale a pena saber mais!
WiseFoods
Principles of Healthy Diets
Price’s Dietary Wisdom
Similarities of Traditional Diets
The Weston A. Price Foundation
Nutrition and Physical Degeneration
Por que deixar grãos e sementes de molho?
Comida FERMENTADA
Alguns MITOS alimentares

4 comments:

O Primitivo disse...

Cara Ângela, muito obrigado por esta excelente síntese do trabalho do Dr. Weston A. Price. Estou enviando para vários amigos meus lerem. Que falta fazem mais artigos destes em português.

angela disse...

Sem palavras... obrigada!

Paulo disse...

Acho engraçado esse tipo de determinismo isolado de formação sociológica adequada. Ignora-se as particularidades dos nativos usados como exemplo e sua base alimentar, coerente à geografia em que se inserem.

Que tal falar da dieta do Crescente e do Mediterrâneo, há milênios baseada no trigo? Ou da dieta japonesa, baseada em arroz e peixe? Ou dos índios tupi que comem mandioca em forma de farinha ou tapioca?

Mais além, que tal discorrer a respeito da expectativa de vida na Modernidade versus em sociedades isoladas do Ártico?

Chega a ser irresponsável propagar esse tipo de coisa. O corpo humano não é uma máquina cuja quantidade de combustível deva ser dosada com perfeição matemática. Isso é uma pretensão ridícula de médicos e nutricionistas que há décadas satanizam os mais variados tipos de alimentos, confundindo a população.

Não sofre males quem se alimenta com equilíbrio.

angela disse...

Obrigada pela visita, Paulo!
Eu só gostaria de esclarecer que aqui não se "propaga" nenhuma abordagem nutricional em particular, mas tenta-se expor idéias em termos de alimentação. Adoraria, por exemplo, que você compartilhasse a sua definição para "equilíbrio", pois, já que afirma que "não sofre males" quem se alimenta dessa forma, suponho que interesse - e muito - a todos!

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